A região de Cabo Frio
conhecida como Grande Jardim Esperança presencia de quatro em quatro anos um
ibope fora do comum. São carreatas, passeatas, comícios, visita de autoridades
municipais, estaduais e até federais. Com essas visitas vêm, além da cordialidade
e simpatia hipócrita, as promessas de investimentos, de obras, de melhorias nos
serviços públicos e blá-blá-blá.
Infelizmente essas promessas não passam de falácias. E
quando os “amigos da população carente” chegam ao poder o que eles fazem? Obras
faraônicas na parte mais rica da cidade é claro. O que era valorizado se torna
ainda mais, o que era raramente lembrado agora é totalmente esquecido.
Bem, mas não foi sobre as obras que eu vim falar aqui. Eu
quero mostrar a minha indignação com a falta de segurança do bairro Jardim
Esperança. No ano de 2013 presenciamos um grande susto. A população que reside
próximo ao “Valão” viveu uma noite de horrores. Um tiroteio nunca antes visto
por aqui ocorreu na madrugada do sábado (14) de setembro. Parecia uma zona de
guerra. No dia seguinte, ouvimos no telejornal uma justificativa muito mal
contada sobre o acontecido.
Outro fato que já foi esquecido pelas autoridades foi a
morte de uma menina de 4 anos que foi baleada enquanto voltava do culto com a
sua mãe na noite de quarta-feira dia 13 de novembro. A garota acabou falecendo
no hospital e o caso causou nos dias seguintes grande comoção e até protestos.
O bairro é abandonado. É muito raro ver policiais
rondando por aqui, principalmente fora da rua principal. Quando os fardados são
vistos por aqui, quase sempre, eles estão fazendo uma “boquinha” (provavelmente
0800) em algum bar ou barraquinha suspeita.
Nos dias seguintes dos dois eventos citados, o bairro
parecia estar recebendo o presidente norte-americano, era praticamente uma
viatura por rua. Mas adivinha, depois de uma semana, quando tudo já havia
voltado ao normal, os fardados sumiram novamente e o bairro continuou a mercê
dos traficantes.
Na última sexta feira, 17 de janeiro, outra história mal
contada pela rede de TV local aconteceu no Jardim Esperança e o bairro voltou a
ficar cheio de PMs. Eram cerca de quatro policiais por esquina na avenida
principal do “Jardim”.
Escrevendo esse texto, me vem na lembrança a propaganda
gratuita do Canalha Farias, que disse que há cinco vezes mais policiais por
habitante no Leblon do que na região dos lagos. Eu penso então, como seria
esses números se comparassem o Leblon com o Jardim Esperança? Esses dados eles
não vão fornecer, pelo menos não enquanto o interesse político imperar aqui.
Até quando vamos ficar a mercê do tráfico e
principalmente da falta de interesse dos mesmos políticos que fazem “o verão
inesquecível”? Essa situação tem que mudar. Temos que cobrar o que foi
prometido no período de campanha. Temos que buscar aquilo que precisamos. Porque
se esperar pelos prefeitos vamos continuar andando em ônibus completamente
lotados, vamos continuar com falta de água na “alta temporada”, vamos continuar
sem segurança, vamos continuar esquecidos.
Zé da Esperança. (Nome fictício. O autor não quis divulgar seu nome real.)